De promessa das categorias de base a campeão do mundo: mais de duas décadas de uma relação marcada por talento, críticas, derrotas, redenção e títulos históricos
Por mais de 20 anos, Lionel Messi vestiu a camisa da Seleção Argentina em diferentes gerações, enfrentou comparações com Diego Maradona, perdeu finais que pareciam impossíveis de superar e, depois, conquistou os principais troféus que buscava. Aos 39 anos, o craque encerra sua trajetória internacional após anunciar sua aposentadoria em agosto de 2026 e receber uma despedida diante da torcida argentina no Estádio Monumental.
Introdução: o último capítulo de uma história extraordinária
Durante muitos anos, parecia impossível imaginar a Seleção Argentina sem Lionel Messi.
Desde sua estreia pela equipe principal, em 2005, o camisa 10 atravessou diferentes treinadores, companheiros e gerações. Esteve em seis Copas do Mundo, disputou sete edições da Copa América e assumiu a condição de principal referência da Albiceleste.
A história, porém, esteve longe de ser simples.
Messi chegou à seleção cercado de expectativas.
Cresceu no futebol espanhol, tornou-se uma estrela do Barcelona e rapidamente passou a ser comparado com Diego Maradona. Ao mesmo tempo em que encantava o mundo pelo talento, enfrentava uma cobrança particularmente intensa na Argentina: a de provar que poderia reproduzir com a camisa nacional o mesmo domínio que demonstrava no futebol de clubes.
Durante anos, as críticas acompanharam sua trajetória. Vieram as derrotas nas finais da Copa América de 2007, 2015 e 2016, o vice-campeonato mundial de 2014 e, em 2016, o anúncio de uma aposentadoria que parecia definitiva.
Não foi.
Messi voltou.
E a história mudou.
Sob o comando de Lionel Scaloni, a Argentina encontrou estabilidade, Messi assumiu definitivamente o papel de líder e a equipe conquistou a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo do Catar e novamente a Copa América em 2024.
Em 2026, depois de levar a Argentina a mais uma final de Copa do Mundo, Messi anunciou que não defenderia mais a seleção. A derrota por 1 a 0 para a Espanha encerrou sua participação competitiva com a Albiceleste.
Agora, o último encontro acontece em casa.
No dia 6 de outubro de 2026, o Monumental recebe Argentina e Benin em uma partida preparada para homenagear o maior artilheiro e jogador com mais partidas da história da seleção argentina.
É o fim de uma era.
Capítulo 1 – O início do sonho
Antes de se tornar o maior artilheiro da história da Argentina, Lionel Messi precisou conquistar seu espaço nas categorias de base.
Nascido em Rosario, em 24 de junho de 1987, Messi começou a chamar atenção ainda criança. Depois de passar pelo Grandoli, chegou às categorias inferiores do Newell's Old Boys, onde construiu uma reputação de jogador excepcional.
A mudança para a Espanha, ainda adolescente, alteraria o rumo de sua carreira. Messi passou a integrar a estrutura do Barcelona e começou a desenvolver o futebol que posteriormente o transformaria em um dos maiores jogadores da história.
Mesmo vivendo na Espanha, entretanto, sua ligação com a Argentina permaneceu.
Em 2004, Messi estreou pelas seleções argentinas de base. O primeiro compromisso foi pela equipe Sub-20, em um amistoso contra o Paraguai. Naquela partida, marcou um gol e participou de outras jogadas decisivas.
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| A primeira vez de Messi na seleçãoMario Quintero / Cortesia Olé |
Pouco depois, voltou a aparecer diante do Uruguai, novamente pela categoria Sub-20.
A decisão sobre qual seleção defenderia no futuro também foi importante. Messi recebeu a possibilidade de representar a Espanha, mas optou pela Argentina.
Foi uma escolha que definiria toda a sua carreira internacional.
Em 2005, a promessa se transformou em protagonista.
No Mundial Sub-20 disputado na Holanda, Messi marcou seis gols, conquistou o título com a Argentina e recebeu os prêmios de melhor jogador e artilheiro da competição.
Aquele torneio foi o primeiro grande aviso de que a Albiceleste tinha diante de si um talento especial.
Meses depois, chegaria a convocação para a seleção principal.
A estreia de Messi pela Argentina aconteceu em 17 de agosto de 2005, em um amistoso contra a Hungria, em Budapeste.
A expectativa era enorme.
O jovem de apenas 18 anos entrou no segundo tempo, substituindo Lisandro López. Mas o primeiro capítulo de sua história com a seleção principal foi completamente diferente do que se poderia imaginar.
Messi ficou poucos segundos em campo.
Em uma disputa com o húngaro Vilmos Vanczák, tentou se desvencilhar da marcação e acabou sendo expulso pelo árbitro Markus Merk.
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| Messi sendo expulso do campo / trivela |
O cartão vermelho veio praticamente imediatamente depois de sua entrada.
A Associação de Futebol Argentino registra que o jovem atacante permaneceu em campo por cerca de 40 segundos, enquanto outras fontes contabilizam aproximadamente 47 segundos. A diferença decorre da forma de contabilização do momento exato da entrada e da expulsão.
O que não mudou foi o significado daquela noite: o jogador que mais tarde se tornaria o maior artilheiro da história argentina teve uma estreia extremamente curta.
Mas a expulsão não alterou os planos da seleção.
Poucos meses depois, Messi marcou seu primeiro gol pela equipe principal, em março de 2006, em um amistoso contra a Croácia.
E logo veio o Mundial da Alemanha.
Na Copa do Mundo de 2006, Messi tinha apenas 18 anos.
Entrou contra a Sérvia e Montenegro e marcou seu primeiro gol em Mundiais, além de participar da jogada que terminou em gol de Hernán Crespo.
Aquela participação foi suficiente para mostrar que a Argentina tinha encontrado uma nova estrela.
O adolescente que havia sido expulso em sua estreia já estava disputando uma Copa do Mundo.
Na Argentina, talento nunca foi suficiente.
A camisa 10 carregava um peso histórico extraordinário. E, depois de Diego Maradona, qualquer jogador que assumisse o protagonismo da seleção seria inevitavelmente comparado ao campeão mundial de 1986.
Messi não escapou.
A comparação começou cedo e cresceu à medida que sua carreira no Barcelona se transformava em uma sucessão de títulos, gols e recordes.
O problema era que, durante seus primeiros anos com a seleção principal, os resultados coletivos não acompanhavam o desempenho individual.
Messi brilhava no Barcelona.
Com a Argentina, os títulos não vinham.
A imprensa e parte da torcida passaram a questionar sua capacidade de liderar a equipe nacional. Também houve discussões sobre sua identificação com o país, especialmente porque ele havia deixado a Argentina ainda muito jovem para viver e jogar na Espanha.
A cobrança aumentou após cada competição.
Na Copa América de 2007, Messi chegou à final com apenas 20 anos. A Argentina acabou derrotada pelo Brasil por 3 a 0.
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| Júlio Baptista em ação na final contra a Argentina, na Copa América de 2007 — Foto: Sérgio Pinto / CBF |
Em 2008, veio uma resposta importante: Messi conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim com a seleção argentina Sub-23.
Na equipe principal, porém, ainda faltava a grande conquista.
A liderança também foi amadurecendo aos poucos.
Em 2010, durante a Copa do Mundo da África do Sul, Messi chegou a usar a braçadeira em uma partida diante da Grécia, por decisão do técnico Diego Maradona.
Depois da Copa América de 2011, Alejandro Sabella assumiu a seleção e tornou Messi capitão absoluto.
Era o começo de uma nova fase.
O craque continuava sendo reservado fora de campo, mas passou a assumir cada vez mais responsabilidades dentro da equipe.
A liderança de Messi nunca se encaixou totalmente no modelo tradicional de um capitão que fala o tempo inteiro e impõe sua autoridade pela voz.
Seu principal argumento era o futebol.
E, durante muito tempo, ele precisou utilizá-lo para tentar convencer uma torcida que ainda esperava uma nova era de conquistas.
O período entre 2014 e 2016 foi provavelmente o mais doloroso da carreira de Messi com a Argentina.
E também foi o período em que a relação entre jogador e torcida atingiu seu ponto mais delicado.
Na Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil, Messi liderou a Argentina até a final.
A equipe chegou à decisão contra a Alemanha no Maracanã.
Depois de 90 minutos sem gols, Mario Götze marcou na prorrogação e deu o título aos alemães.
Messi recebeu o prêmio de melhor jogador da Copa, mas voltou para casa sem a taça que mais desejava.
A frustração continuou na Copa América de 2015.
A Argentina chegou novamente à final, desta vez contra o Chile. O jogo terminou empatado sem gols, e os chilenos venceram nos pênaltis.
Um ano depois, o roteiro se repetiu.
Na Copa América Centenário de 2016, Argentina e Chile novamente decidiram o título. Novamente, a partida terminou em 0 a 0.
Novamente, o campeão foi definido nos pênaltis.
Messi marcou seu gol na disputa de 2015, mas, em 2016, desperdiçou sua cobrança.
O impacto foi enorme.
Após a derrota, Messi anunciou sua aposentadoria da seleção argentina.
Era uma decisão emocional depois de três finais perdidas em sequência: a Copa do Mundo de 2014 e as Copas América de 2015 e 2016.
Naquele momento, parecia que a história entre Messi e Argentina havia chegado ao fim.
Mas não chegou.
Pouco mais de dois meses depois, Messi decidiu retornar.
A seleção ainda precisava dele.
E ele ainda acreditava que poderia conquistar o título que faltava.
O retorno foi um dos momentos decisivos de toda a sua carreira internacional.
A mudança definitiva começou alguns anos depois.
A Argentina passou por uma reformulação após a Copa do Mundo de 2018. Em meio às mudanças, Lionel Scaloni ganhou espaço até assumir definitivamente o comando da seleção.
O treinador encontrou uma equipe que precisava recuperar confiança.
Messi também precisava de um novo ambiente.
A seleção começou a construir uma geração diferente, com jogadores como Emiliano Martínez, Cristian Romero, Rodrigo De Paul, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister, Julián Álvarez e outros nomes que se tornariam fundamentais.
Ao lado deles estava Messi.
Mas agora o camisa 10 não precisava carregar sozinho todas as responsabilidades.
A Argentina encontrou equilíbrio.
E o primeiro grande resultado dessa transformação veio em 2021.
Na Copa América disputada no Brasil, a Argentina enfrentou o próprio Brasil na final, no Maracanã.
Ángel Di María marcou o gol da vitória.

A Argentina venceu por 1 a 0.
Messi finalmente era campeão com a seleção principal.
O título encerrou uma espera de 28 anos sem uma grande conquista da equipe argentina e representou uma mudança profunda na relação entre Messi e os torcedores.
O jogador que durante anos havia sido questionado passou a ser celebrado.
O peso começou a diminuir.
A confiança aumentou.
E a Argentina passou a jogar como uma equipe.
A conquista da Copa América de 2021 não foi um ponto final.
Foi o começo de uma era.
Em junho de 2022, Argentina e Itália disputaram a Finalíssima, confronto entre os campeões da Copa América e da Eurocopa.

No estádio de Wembley, a Argentina venceu por 3 a 0.
Messi não marcou, mas teve atuação importante na construção da vitória.
Meses depois, viria o maior desafio.
A Copa do Mundo do Catar.
A estreia foi traumática.
A Argentina perdeu para a Arábia Saudita por 2 a 1.
Mais uma vez, o mundo começou a questionar a equipe.
A diferença é que aquela seleção já havia aprendido a reagir.
Messi marcou contra o México e voltou a ser decisivo diante da Austrália. Depois, marcou contra a Holanda e a Croácia antes de chegar à final.
Na decisão contra a França, o camisa 10 viveu uma das partidas mais importantes de sua carreira.
Messi marcou duas vezes em uma final que terminou empatada por 3 a 3.
Nos pênaltis, converteu sua cobrança
A Argentina venceu a França por 4 a 2 nas penalidades.
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Jogadores da Argentina comemoram a conquista do troféu da Copa do Mundo 2022 • Divulgação/Selección Argentina
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Messi finalmente levantou a Copa do Mundo.
A imagem do jogador segurando o troféu no estádio Lusail tornou-se um dos momentos mais marcantes da história recente do futebol.
No Catar, Messi marcou sete gols, deu três assistências e recebeu o prêmio de melhor jogador do Mundial.
Mas o significado daquele título ia muito além dos números.
Para uma geração de argentinos, aquela foi a confirmação definitiva de que Messi havia alcançado o mesmo território histórico reservado aos maiores ídolos do país.
A comparação com Maradona continuaria existindo.
Mas agora havia uma diferença fundamental:
Messi também era campeão mundial.
Depois do Mundial de 2022, Messi ainda tinha histórias para escrever.
Em 2024, disputou sua última Copa América.
A Argentina chegou novamente à final, desta vez contra a Colômbia.
Messi sofreu uma lesão durante a decisão e precisou deixar o campo chorando.
Mesmo sem ele até o final da partida, a Argentina venceu por 1 a 0 na prorrogação, com gol de Lautaro Martínez.
Messi conquistou sua segunda Copa América.
Foi também seu último título continental pela seleção.
A despedida competitiva, porém, ainda teria mais um capítulo.
A Copa do Mundo de 2026.
Aos 39 anos, Messi participou de sua sexta Copa do Mundo, ampliando uma trajetória que começou quando ele ainda era um adolescente na Alemanha, em 2006.
A Argentina chegou novamente à decisão.
Dessa vez, enfrentou a Espanha.
A seleção argentina acabou derrotada por 1 a 0.
O resultado encerrou a participação de Messi em Mundiais e, dias depois, o jogador confirmou oficialmente que não defenderia mais a Argentina.
Em 31 de agosto de 2026, Messi anunciou sua aposentadoria internacional.
Na mensagem publicada nas redes sociais, explicou que a decisão havia sido difícil e afirmou que havia dado tudo pela camisa argentina.
Também destacou a chegada de novos jogadores que mereciam oportunidades.
Era o momento de abrir espaço para a próxima geração.
A derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026 foi o último jogo competitivo de Messi pela Argentina.
Mas não seria sua última aparição com a camisa albiceleste.
A Associação de Futebol Argentino decidiu preparar uma despedida especial.
Messi foi convocado para um amistoso contra Benin, marcado para 6 de outubro de 2026, no Estádio Monumental, em Buenos Aires.
A ideia foi proporcionar ao jogador uma despedida diante dos torcedores argentinos.
O técnico Lionel Scaloni revelou que fez esforços para convencer Messi a participar da homenagem, já que queria garantir que o craque tivesse a oportunidade de se despedir em seu país.
O jogo contra Benin tem, portanto, um significado diferente de uma partida comum.
Não está em jogo apenas um resultado.
Está em jogo a última imagem de Messi com a camisa que vestiu por mais de duas décadas.
Antes da partida, Messi acumulava 207 jogos e 125 gols pela seleção principal, números que o colocam como recordista de partidas e maior goleador da história da Argentina.
Ao entrar em campo contra Benin, chegará a 208 partidas.
Mais importante que qualquer número, porém, será o encontro entre um jogador e uma torcida que passaram por uma relação extraordinariamente complexa.
No início, houve desconfiança.
Depois, cobrança.
Vieram as derrotas.
Vieram as lágrimas.
Houve uma aposentadoria.
Houve retorno.
Vieram títulos.
E finalmente veio a Copa do Mundo.
O legado de Messi pela seleção argentina não pode ser resumido apenas pelos troféus.
Os números são impressionantes.
Até antes da despedida contra Benin, Messi tinha:
207 partidas pela Seleção Argentina
125 gols
Maior artilheiro da história da seleção
Jogador com mais partidas pela Argentina
6 Copas do Mundo disputadas
7 Copas América disputadas
2 títulos da Copa América: 2021 e 2024
1 Copa do Mundo: 2022
1 Finalíssima: 2022
1 medalha de ouro olímpica: 2008
1 título mundial Sub-20: 2005
Na Copa América, Messi também estabeleceu uma marca histórica: é o jogador com mais partidas disputadas na história da competição, com 39 aparições.
Sua trajetória no torneio começou em 2007 e terminou em 2024.
Foram anos suficientes para atravessar diferentes gerações do futebol sul-americano.
Mas talvez o maior legado seja outro.
Messi mostrou que uma carreira internacional pode ser construída mesmo depois de sucessivas decepções.
Durante anos, suas derrotas foram utilizadas como argumento contra sua grandeza pela Argentina.
Depois, as mesmas derrotas passaram a fazer parte de uma história de superação.
A aposentadoria de 2016 tornou-se apenas um capítulo.
As finais perdidas não desapareceram.
Elas continuam fazendo parte da trajetória.
Mas passaram a ser vistas sob outra perspectiva depois das conquistas de 2021, 2022 e 2024.
Messi e Maradona: duas eras, dois gênios
Comparar Messi e Maradona sempre será inevitável na Argentina.
Os dois foram protagonistas de gerações diferentes e deixaram marcas profundas na seleção.
Maradona conquistou a Copa do Mundo de 1986 e se tornou símbolo de uma Argentina que encontrou no futebol uma das maiores fontes de identidade nacional.
Messi percorreu outro caminho.
Seu período na seleção foi mais longo, atravessou mais competições e foi marcado por uma transformação gradual da relação com a torcida.
No começo, muitos esperavam que Messi fosse simplesmente o novo Maradona.
Com o tempo, essa comparação perdeu parte do sentido.
Messi não precisava ser Maradona.
Ele construiu sua própria história.
O título mundial de 2022 consolidou essa independência histórica.
A partir daquele momento, a Argentina não precisava mais escolher entre um ídolo e outro.
Maradona continuava sendo Maradona.
Messi passou a ser Messi
Dois campeões mundiais.
Duas eras.
Duas formas diferentes de representar a camisa 10.
O que fica depois de Messi?
A pergunta inevitável agora é: quem será o próximo camisa 10?
A resposta não está definida.
A Argentina possui uma nova geração de jogadores e, sob o comando de Scaloni, já começou a preparar o futuro.
Mas substituir Messi não será simplesmente encontrar outro jogador para vestir a camisa número 10.
Será necessário preencher um espaço simbólico.
Durante mais de duas décadas, o torcedor argentino sabia que, em algum momento da partida, Messi poderia decidir.
Um passe.
Uma cobrança de falta.
Um drible.
Um chute de fora da área.
Uma assistência.
Um gol.
Essa certeza desaparece com sua aposentadoria.
O futebol, entretanto, continuará.
E esse talvez seja um dos maiores méritos da era Messi com Scaloni: a seleção não depende mais apenas de um único jogador.
A Argentina construiu uma identidade coletiva.
Agora terá de aprender a viver sem seu maior protagonista.
O fim de uma era
A história de Lionel Messi com a Seleção Argentina começou de maneira quase cinematográfica.
Um jovem de Rosario, criado futebolisticamente na Espanha, escolheu a Argentina.
Foi campeão mundial Sub-20.
Estreou na equipe principal e foi expulso em poucos segundos.
Jogou sua primeira Copa do Mundo aos 18 anos.
Perdeu finais.
Foi criticado.
Foi comparado a Maradona.
Tornou-se capitão.
Aposentou-se.
Voltou.
Perdeu novamente.
E então venceu.
Ganhou a Copa América.
Ganhou a Finalíssima.
Ganhou a Copa do Mundo.
Ganhou novamente a Copa América.
Chegou a outra final mundial.
E decidiu que era hora de parar.
O futebol argentino agora se prepara para o dia seguinte.
Mas a imagem do camisa 10 permanecerá.
Não apenas pelos 125 gols ou pelas mais de 200 partidas.
Permanecerá porque Messi representa uma trajetória completa: a do talento que precisou enfrentar a cobrança, a do ídolo que precisou conquistar a própria torcida e a do campeão que finalmente conseguiu entregar à Argentina os títulos que durante tanto tempo pareceram escapar.
Nesta noite, diante do Monumental lotado, o resultado será secundário.
Quando Messi vestir a camisa da Argentina pela última vez, uma história iniciada em 2005 chegará ao seu último capítulo.
E talvez a melhor maneira de compreender o tamanho desse momento seja lembrar que, por mais de 20 anos, gerações inteiras cresceram acompanhando o mesmo jogador defender as cores azul e branca.
Agora, ele vai embora.
A camisa 10 continuará.
A Argentina continuará.
O futebol continuará.
Mas a era Lionel Messi na Seleção Argentina chega ao fim.
Capítulo 2 – A estreia na Seleção Principal
Capítulo 3 – O peso de ser o sucessor de Maradona
Capítulo 4 – As finais perdidas e as críticas
Capítulo 5 – O renascimento da Argentina
Capítulo 6 – A consagração: Finalíssima e Copa do Mundo
Capítulo 7 – A última grande conquista e a despedida da Copa
Capítulo 8 – O último adeus no Monumental
Capítulo 9 – O legado de Lionel Messi na Argentina